quinta-feira, 2 de maio de 2013
Sobre o futebol mercantil.....
OS TORCEDORES IMORTAIS
(Do Blog Jornalia do Ed)
Pois então, hoje tem jogo do Santa aqui em Recife e eu não vou. Não vou porque não quero me submeter aos desígnios de quem detém o poder econômico e manda no pobre futebol brasileiro. Entretanto, não queimo meus neurônios tentando criticar a grade de programação da “Vênus Platinada”. Eles compraram o evento, são os donos da festa. As críticas devem ser direcionadas aos que se venderam.
A tevê determinou, inclusive, mudanças no sistema de disputa. Proibiu a cobrança de penalidades. A lógica comercial: a partida de futebol é um evento da grade de programação, portanto, tem que ter hora para começar e terminar. Cobranças de pênaltis, em geral, extrapolam os horários pré-estabelecidos.
Isso não é de agora, há alguns anos, a tradicional “Corrida de São Silvestre”, que era disputada na virada do ano, teve seu horário modificado para atender uam ordem da tevê. Transmitindo no horário do réveillon o “programa” concorria com uma festa tradicional e perdia audiência. A longa história da corrida foi triturada para se adequar à programação.
O mais grave, no que se refere à “organização” esportiva, é a desvalorização de tradicionais times fora do eixo Rio-Minas-Sul-São Paulo. A tevê sempre privilegia na grade os times de lá. Os programas esportivos, mesmo nas edições nacionais, privilegiam os times de lá. O torcedor que aparece na novela é do time de lá, assim como o escudo na parede etc., etc., e etc.
O mostro foi criado e se alimenta da alienação dos torcedores pelo do Brasil afora que se esquecem de torcer pelos times locais e torcem pelo time que a tevê impõe. Eles passam a acreditar no que aquele locutor ufano brada descaradamente, veste a camisa de uma equipe que não tem nada a ver com ele. Antes eram só as crianças, hoje em dia, muito adulto com opinião formada entra na onda.
Dessa doença a torcida do meu clube do coração, o Santa Cruz, não sofre. O time foi jogado no limbo, no subsolo do inferno, mas a torcida não foi na onda da tevê. Pelo contrário, bateu recordes de presença no estádio e a tev
ê, mesmo a contragosto, teve que mostrar essa história. Se o monstro é invencível, nós, heroicos torcedores, somos imortais.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Excelente inquietação feita por Frei Betto!
Produção de sentido
por Frei Betto (publicado originalmente em Brasil De Fato em 23/04/2013)
Muitos pais se queixam do desinteresse dos filhos por causas altruístas, solidárias, sustentáveis. Guardam a impressão de que parcela considerável da juventude busca apenas riqueza, beleza e poder. Já não se espelha em líderes voltados às causas sociais, ao ideal de um mundo melhor, como Gandhi, Luther King, Che Guevara e Mandela.
O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido Igrejas, movimentos sociais e organizações políticas.
A Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II, suscitava militantes, imbuídos de fé e idealismo, por meio da Ação Católica e da Pastoral de Juventude. Queríamos ser homens e mulheres novos. E criar uma nova sociedade, fundada na ética pessoal e na justiça social.
Os movimentos sociais, como a alfabetização pelo método Paulo Freire, nos desacomodavam, impeliam-nos ao encontro das camadas mais pobres da população, educavam a nossa sensibilidade para a dor alheia causada por estruturas injustas.
As organizações políticas, quase todas clandestinas sob a ditadura, incutiam-nos consciência crítica, e certo espírito heroico que nos destemia frente aos riscos de combater o regime militar e a ingerência do imperialismo usamericano na América Latina.
Quais são, hoje, as instituições produtoras de sentido? Onde adquirir uma visão de mundo que destoe dessa mundividência neoliberal centrada no monoteísmo do mercado? Por que a arte é encarada como mera mercadoria, seja na produção ou no consumo, e não como criação capaz de suscitar em nossa subjetividade valores éticos, perspectiva crítica e apetite estético?
As novas tecnologias de comunicação provocam a explosão de redes sociais que, de fato, são virtuais. E esgarçam as redes verdadeiramente sociais, como sindicatos, grêmios, associações, grupos políticos, que aproximavam as pessoas fisicamente, incutiam cumplicidade e as congregavam em diferentes modalidades de militância.
Agora, a troca de informações e opiniões supera o intercâmbio de formação e as propostas de mobilização. Os megarrelatos estão em crise, e há pouco interesse pelas fontes de pensamento crítico, como o marxismo e a teologia da libertação.
No entanto, como se dizia outrora, nunca as condições objetivas foram tão favoráveis para operar mudanças estruturais. O capitalismo está em crise, a desigualdade social no mundo é alarmante, os povos árabes se rebelam, a Europa se defronta com 25 milhões de desempregados, enquanto na América Latina cresce o número de governos progressistas, emancipados das garras do Tio Sam e suficientemente independentes, a ponto de eleger Cuba para presidir a Celac (Comunidade do Estados Latino-Americanos e Caribenhos).
Vigora atualmente um descompasso entre o que se vê e o que se quer. Há uma multidão de jovens que deseja apenas um lugar ao sol sem, contudo, se dar conta das espessas sombras que lhes fecham o horizonte.
Quando não se quer mudar o mundo, privatiza-se o sonho modificando o cabelo, a roupa, a aparência. Quando não se ousa pichar muros, faz-se tatuagem para marcar no corpo sua escala de valores. Quando não se injeta utopia na veia, corre-se o risco de injetar drogas.
Não fomos criados para ser carneiros em um imenso rebanho retido no curral do mercado. Fomos criados para ser protagonistas, inventores, criadores e revolucionários.
Quando Hércules haverá de arrebentar as correntes de Prometeu e evitar que o consumismo prossiga lhe comendo o fígado? "Prometeu fez com que esperanças cegas vivam nos corações dos homens”, escreveu Ésquilo. De onde beber esperanças lúcidas se as fontes de sentido parecem ressecadas?
Parecem, mas não desaparecem. As fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis.
Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.http://www.freibetto.org- twitter: @freibetto.
por Frei Betto (publicado originalmente em Brasil De Fato em 23/04/2013)
Muitos pais se queixam do desinteresse dos filhos por causas altruístas, solidárias, sustentáveis. Guardam a impressão de que parcela considerável da juventude busca apenas riqueza, beleza e poder. Já não se espelha em líderes voltados às causas sociais, ao ideal de um mundo melhor, como Gandhi, Luther King, Che Guevara e Mandela.
O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido Igrejas, movimentos sociais e organizações políticas.
A Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II, suscitava militantes, imbuídos de fé e idealismo, por meio da Ação Católica e da Pastoral de Juventude. Queríamos ser homens e mulheres novos. E criar uma nova sociedade, fundada na ética pessoal e na justiça social.
Os movimentos sociais, como a alfabetização pelo método Paulo Freire, nos desacomodavam, impeliam-nos ao encontro das camadas mais pobres da população, educavam a nossa sensibilidade para a dor alheia causada por estruturas injustas.
As organizações políticas, quase todas clandestinas sob a ditadura, incutiam-nos consciência crítica, e certo espírito heroico que nos destemia frente aos riscos de combater o regime militar e a ingerência do imperialismo usamericano na América Latina.
Quais são, hoje, as instituições produtoras de sentido? Onde adquirir uma visão de mundo que destoe dessa mundividência neoliberal centrada no monoteísmo do mercado? Por que a arte é encarada como mera mercadoria, seja na produção ou no consumo, e não como criação capaz de suscitar em nossa subjetividade valores éticos, perspectiva crítica e apetite estético?
As novas tecnologias de comunicação provocam a explosão de redes sociais que, de fato, são virtuais. E esgarçam as redes verdadeiramente sociais, como sindicatos, grêmios, associações, grupos políticos, que aproximavam as pessoas fisicamente, incutiam cumplicidade e as congregavam em diferentes modalidades de militância.
Agora, a troca de informações e opiniões supera o intercâmbio de formação e as propostas de mobilização. Os megarrelatos estão em crise, e há pouco interesse pelas fontes de pensamento crítico, como o marxismo e a teologia da libertação.
No entanto, como se dizia outrora, nunca as condições objetivas foram tão favoráveis para operar mudanças estruturais. O capitalismo está em crise, a desigualdade social no mundo é alarmante, os povos árabes se rebelam, a Europa se defronta com 25 milhões de desempregados, enquanto na América Latina cresce o número de governos progressistas, emancipados das garras do Tio Sam e suficientemente independentes, a ponto de eleger Cuba para presidir a Celac (Comunidade do Estados Latino-Americanos e Caribenhos).
Vigora atualmente um descompasso entre o que se vê e o que se quer. Há uma multidão de jovens que deseja apenas um lugar ao sol sem, contudo, se dar conta das espessas sombras que lhes fecham o horizonte.
Quando não se quer mudar o mundo, privatiza-se o sonho modificando o cabelo, a roupa, a aparência. Quando não se ousa pichar muros, faz-se tatuagem para marcar no corpo sua escala de valores. Quando não se injeta utopia na veia, corre-se o risco de injetar drogas.
Não fomos criados para ser carneiros em um imenso rebanho retido no curral do mercado. Fomos criados para ser protagonistas, inventores, criadores e revolucionários.
Quando Hércules haverá de arrebentar as correntes de Prometeu e evitar que o consumismo prossiga lhe comendo o fígado? "Prometeu fez com que esperanças cegas vivam nos corações dos homens”, escreveu Ésquilo. De onde beber esperanças lúcidas se as fontes de sentido parecem ressecadas?
Parecem, mas não desaparecem. As fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis.
Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.http://www.freibetto.org- twitter: @freibetto.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
E o vento leva....
E a
moçada perde tempo....
Estive
ouvindo dois grandes roqueiros (guitarristas) de peso nesses dias.
Joe Satriani e Ingwie Malmsteen. Os caras são fenomenais. Excelente
som! Interessante é que quando se ouve a eles, a gente sente um
contentamento maravilhoso. E pensa na perda de tempo que a moçada
(mas não somente a moçada) comete. Ao ouvir uma ninharia de música
que os empresários e os marqueteiros interessados em dinheiro nos
querem empurrar “goela à baixo”, tal como forró, funk,
sertanejo, etc estamos nos privando do que temos (ou do que nos dão)
de melhor; a criatividade, o gênio humano, a música. Não que estas
músicas não sejam vindas do gênio humano, mas qual o critério
para ouvi-las?
Música é
um conjunto harmonioso de sons que nos despertam o espirito. Nos
torna livres, nos suaviza a alma. Música é a arte dos deuses, o
santo graal da sabedoria humana! E o critério que devemos tomar para
ouvi-la é a sabedoria, a beleza, o bom som, etc. Enfim, ouçam:
- Joe Satriani2) Ingwie Malmsteen
por Valdecir
Ximenes
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Jô Soares sobre o professor (a).....
O
professor está sempre errado!
Jô
Soares
O
material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.
É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.
É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Software
Livre na administração pública: uma proposta
Por
Valdecir Ximenes (usa Ubuntu)
No
ano passado tivemos a oportunidade de conhecer as propostas dos candidatos de
nosso município para a saúde, educação, segurança e em nenhum deles constava,
pelo menos não explicitamente, a efetiva informatização do poder público, por
vários motivos: desconhecimento da potencialidade da utilização do Software
Livre (SL), pouca relevância eleitoral (por que o povo não sabe/não conhece) e
mesmo ignorância funcional com relação à Informática/Computação dos
pleiteantes. O que texto que segue é uma motivação para que a atual gestão
adote a utilização do SL para customizar e otimizar a eficiência do poder
público municipal.
Sou
funcionário contratado pelo poder público municipal e de quando em vez o mesmo
requisita documentos de nós funcionários. O que ocorre é que tais documentos
(cópias) já deviam contar em um banco de dados pelo nosso quadro de pessoal que
trabalham na gestão para que não se precise ficar tirando cópias e mais cópias
de um mesmo documento (ou dos mesmos documentos). Bom, mais o que estou
querendo sugeri? Informatização, uso de SL, mas não somente. No geral, quero
sugeri a implantação e utilização de SL na informatização do poder público
municipal. Seguramente a atual gestão é conhecedora de que o uso de SL na
administração pública vem sendo amplamente adotado pelo Governo Federal e
também pelo Governo Estadual. E agora é uma boa pedida para que o Governo
Municipal siga pelo mesmo livre e elegante caminho, como muitas prefeituras vem
fazendo. Por exemplo, o Governo Federal vem adotando SL em muitos de seus
ministérios. Para o caso podemos exemplificar com a boa definição no portal do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão:
“O software livre é uma opção
estratégica do Governo Federal porque reduz custos, amplia a
concorrência, gera empregos e desenvolve o conhecimento e a inteligência do
país nessa área. ”(1)
Uma
das grandes iniciativas do Governo Federal foi a criação do Portal do Software
Público Brasileiro (PSPB) onde são disponibilizados centenas de softwares
livres que podem ser implantados em todas as esferas da administração pública
(federal, estadual e municipal) como também podem ser utilizados pela sociedade
em geral. Abaixo alguns softwares disponíveis no PSPB que merecem destaque e
uma pequena descrição de acordo com informações obtidas no próprio portal.
a) O uso da distribuição (distro)
Linux Educacional nas escolas públicas contempladas com
o Proinfo
b) a utilização da distro Linux
Pandorga também nas escolas públicas para ser usado por
crianças e pre-adolescentes;
c) o projeto Prefeitura Livre – no geral, é a
informatização das prefeituras com SL;
d) o i-Educar – software de gestão escolar
e) e-Cidade
– que destina-se a informatizar a gestão dos Municípios Brasileiros de forma conjunta,
contemplando a integração entre os entes municipais: Prefeitura Municipal, Câmara
Municipal, Autarquias, Fundações e outros.
f) etc.(2)
A
utilização de SL no poder público se torna bastante viável por vários motivos,
ou melhor dizendo, por causa de quatro princípios básicos:
1)
Legal
(não existe cópia ilegal de software);
2)
Político
(independência de fornecedor de software) ;
3)
Social
(compartilhar/socializar o conhecimento) ;
4)
Econômico
(não existe compra de licenças). E o melhor, existe pouca chance de vírus
infectar
o sistema e apagar/ocultar documentos importantes, como dados, registros,
protocolos, etc, levando em consideração que o poder público migre para o Linux.
No
que toca à relação Governo versus SL, o Governo Federal vem adotando
sistematicamente o uso de tecnologias de softwares open-source (código aberto)
em muitas de suas plataformas, como já citado acima. O mesmo disponibiliza todo
um conteúdo no PSPB, o que é muito louvável. O Governo Estadual tem implantado
o sistema operacional Linux (distro
Ubuntu) em muitos de seus departamentos, tais como secretarias, escolas
estaduais e Universidades. Muitas Prefeituras Brasil a fora estão adotando o SL
para informatizar suas gestões e com isso tem melhorado substantivamente a vida
de deus governados.
A
utilização/adoção do SL por parte da administração pública no Brasil é um
imperativo moral e por isso, mas não só por isso, deveria estar em um grau bem
mais avançado do que o atual, tendo em vista a qualidade dos softwares
disponíveis e o incentivo oferecido pelo próprio Governo Federal. E tendo em
vista que estamos vivendo a era da informação/informatização, não podemos ficar
“amarrados” em softwares proprietários que somente ajudam a atrasar e
atrapalhar as informações vitais ao bom funcionamento do/da poder/gestão
público/a .
Referências
(1). Revista Espírito Livre. Edição 40, Julho de 2012.
(2). Portal do Software Público Brasileiro
segunda-feira, 4 de março de 2013
Considerações
sobre a importante contribuição do Professor Zé Maria ao ensino, à
educação e à conscientização política, filosófica e
ideológica.
Bom, aproveitando o ensejo em que
o professor Antônio Marcos (Marcos Souza) apontou em seus bem
fundamentados e proveitosos textos publicados nas redes sociais sobre
o professor Zé Maria, eu também, que devo em muito minha formação
ao Zé Maria, vou tecer algumas considerações sobre a importância
politico/social/educacional deste grande personagem que já é parte
integrante da história da educação de Coreaú. E sem desmerecer
todos os bons professores que tive, o considero o melhor. Falarei
sobre ele, seu caráter e sua competência, seus alunos emancipados
politicamente, seus admiradores e seus invejosos, afinal nenhum
professor obteve tanta admiração e respeito como este professor.
Eu conheci o professor Zé Maria
em 2004 quando foi estudar o ensino médio em Araquém. Quando
chegamos lá muitos me disseram que o mesmo era “carrasco”,
talvez no sentido de rigoroso. Mas também um amigo me disse que ele
(Zé Maria) tinha abandonado um emprego estável e de status no Fórum
de Coreaú para se dedicar à educação, o que o me fez olhar de
modo diferente para ele. Estudávamos à época no anexo da Flora
Teles que ficava ali perto do comercial Zé Totó, na atual casa do
Vicente Bento. Depois nos mudamos, é certo. Como estudante vindo do
interior, tímido e fazendo pouco caso do valor do estudo e da
educação, era pouco inclinado para a importância crucial dos
estudos. Bem, tinha motivos: vinha do Boqueirão, educação ruim,
muitos professores despreparados e outros sem nenhum nível de
politização perante os problemas essenciais da educação. Bem, mas
também tinha muitos competentes e empenhados na causa da educação,
se não eu não teria resistido e chegado lá.
Chegando
lá, terminei o primeiro ano de forma mediana, mas terminei. Com as
“puxadas de orelha”, as provocações no sentido de incentivar
todos a participar dos debates e das aulas feitas pelo professor
Zé Maria, ter desenvoltura nas matérias dele (na época História,
Filosofia e Geografia). Passando o tempo, vim a melhorar no segundo
ano. Do segundo para o terceiro ano fiquei melhor, e no terceiro
estava no nível elementar esperado para um aluno, que já poderia
ser considerado um estudante.
Bom, mas acredito que a
contribuição fundamental do professor Zé Maria para mim não foi
no sentido de me acordar para a importância dos estudos. O foi em
grande parte, é indubitável. Mas acho que eu tinha um pouco de
inclinação para estudar, era um estudante mediano. O professor me
acordou politicamente, para os problemas essenciais da politica, da
comunidade, da politica partidária. Lembro que eu não sabia o que
era uma CPI, não sabia o que era um partido político de esquerda ou
um partido politico de direita. Não sabia o que era grupos
hegemônicos de poder e controle politico e cultural. Não sabia
escolher e analisar um candidato. Aprendi o que é colonização
mental, controle de mentes e despertei do sono político em que
estava submetido. Enfim, era um analfabeto político. A maior e mais
nefasta forma de analfabetização que considero, sendo que a segunda
é o obscurantismo científico. Hoje conheço todos os partidos, pelo
menos o que significam elementarmente, do número 10 (PRB) ao número
70 (PT do B)!
Aprendi ainda com o professor Zé
Maria valores e princípios. Humildade, respeito pelas diferenças,
fascínio e admiração pela diversidade cultural. Amor ao próximo,
mesmo que distante, no sentido de ajudar quando precisar, e se
distante, ficar na torcida pelo sucesso do meu semelhante. Aprendi
uma coisa que admiro muito nele: a competência e como atualmente
estou sendo professor, tento seguir o mesmo. Ou seja, o professor Zé
Maria sempre chegava na sala de aula antecipadamente. E saia só no
tempo de que a hora da aula terminava. Nunca faltou às aulas, nunca
“enrolou” aula e sempre lecionou de forma bastante eloquente. Um
dia eu e um amigo estávamos conversando e de forma descontraída
perguntamos um ao outro se o professor Zé Maria não adoecia, uma
vez que ele nunca faltara uma aula e nem chegara atrasado.
Ensinou-nos a fundamentar e concatenar nossas ideias. Nos ensinou a
argumentar nossas posições politicas e respeitar as opiniões
divergentes. Nos ensinou a participar e se engajar com as “coisas”.
Mudar, e melhorar as coisas para todos.
Com o isso, o professor Zé Maria
ganhou nossa admiração e respeito. Ganhou seguidores, é certo.
Bom, a psicologia explica que quando admiramos uma pessoa nós nos
espelhamos nela, obedecendo a um mecanismo do ego chamado
identificação. E como “abriu” os olhos de muita gente, adquiriu
uma gama de invejosos e recalcados que nunca atingiram o nível do
professor Zé Maria, nem de longe e nem de perto! O Zé Maria
politizou muita gente e daí que “todo homem que mostra o futuro
enfrenta mil homens que olham e insistem em permanecer no passado”.
Ou seja, não se pode ensinar a pensar politicamente. Pode-se ensinar
matemática, ciências, português, mas não se deve ensinar
política. Porque? Por que os mocinhos tornam-se vilões. As mascaras
caem. Os peixuxas, que outrora eram amiguinhos dos peixes, que davam
bom dia quando é de dia, boa noite quando é de noite, e se não é
de dia e se não é noite, eles amavelmente dão maresia, mostram
suas verdadeiras caras, seus jogos de interesse. Ou seja, os que
estão jogando seus interesses acima dos valores, os que querem poder
e prestigio.
O professor Zé Maria foi e é um
grande pensador político, um grande conscientizador. Em suma um
grande emancipador! Ora mais eles seguem o Zé Maria!, dizem. Errado.
Eu faço parte de agremiações sociais e políticas que o professor
Zé Maria também é membro e não sei quantificar quantas vezes vi
pessoas (muitos ex-alunos dele) discordarem acidamente do mesmo. Eu
mesmo sempre tive dissidências com o mesmo e de forma respeitosa só
tenho ganhado com isso. É prazeroso para mim discordar de um
humanista, um homem de renascença como o Zé Maria. Se aprende muito
quando se faz isso. O professor Zé Maria é um Kant da vida, nos
ensinou a pensar por si só, sermos donos de nossos pensamentos e
atitudes. E se defendemos pontos de vistas políticos, filosóficos e
ideológicos é porque neles acreditamos piamente. E se o professor
Zé Maria e outros também os defendem é por mera coincidência e
não porque os seguimos. Se tem alguma pessoa que sigo nesta vida,
esta pessoa deve ser com certeza o filósofo alemão Nietzsche a quem
proferiu a frase: “deveis buscar o vosso inimigo e fazer a vossa
guerra, a guerra pelos vossos pensamentos. E se o vosso pensamento
sucumbir, a lealdade a sua convicção, contudo, deve cantar
vitória”. E a assim o sigo...
Como não vivencio a escola Ruth
Cristino, sua politica educacional e sua politica interna não
tecerei comentários acerca dela, mas é certo que é um erro
grosseiro o professor Zé Maria ficar fora de sala de aula. Fará
falta para o crescimento politico-educacional dos alunos desta
escola. Não terão, indubitavelmente, a consciência politica que o
mundo exige de todos nós estudantes. A vida pedirá que eles se
posicionem politicamente e aí como se posicionarão se não tiverem
formação politica suficiente para tal?! Então a campanha “volta
Zé!” é mais do que oportuna, é urgente!
Por fim, o texto do professor
Marcos Souza foi muito feliz, porque “puxou” o debate sobre esse
importante personagem de nossa educação, que é o notável
professor Zé Maria. Mostrou que existem muitos admiradores de nosso
professor e por isso, muitos invejosos e covardes anônimos que
morrem de inveja e raiva do professor Zé Maria e que sabemos quem
são. Acho que é assim que se deve escrever para as redes sociais,
ou seja, problematizando, polemizando, trazendo o debate à torna,
como costumo falar que é necessário se fazer.
Valdecir Ximenes, sempre aluno
do Professor Zé Maria e atualmente professor de Matemática no
ensino fundamental II.
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